Cilindros e cilindradas: entenda o que são e qual a diferença entre eles

Termos têm relação com desempenho do carro ou da moto

Quando se fala em motores, é comum ver especificações sobre quantos cilindros têm, se em linha ou em V, e quantas cilindradas ou cavalos de potência têm. Mas, afinal, a que esses nomes realmente se referem e qual a diferença para quem está atrás do volante?

Cilindro
O cilindro é a peça do motor dentro da qual se movem os pistões e onde ocorre o processo de combustão. Ou seja, é um componente que deve suportar as altas pressão e temperatura das explosões que permitem o movimento do veículo. O cilindro suporta uma pressão máxima, que vai depender do material usado na constituição da peça, explica Walter Fontana, engenheiro mecânico e professor do curso de Engenharia Mecânica da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

Cilindros e cilindradas: saiba o que são e em que influenciam - Termos têm relação com desempenho do carro ou da moto, mas configuração do motor faz diferença

A pressão dentro do cilindro está relacionada à potência e ao torque desenvolvidos pelo motor. Para conseguir mais potência, ou se usa mais cilindros, ou se faz essas peças de materiais mais nobres e resistentes - mas também mais caros -, continua o responsável pelo laboratório de motores da Unisinos. Fontana alerta, no entanto, que a relação entre números de cilindros e desempenho depende de uma série de outros fatores mecânicos. Uma relação mais apropriada seria com a cilindrada. Quanto maior a cilindrada, mais potência e torque (e maior consumo), considerando motores de mesma configuração.

Cilindrada
A cilindrada é medida a partir da quantidade de combustível deslocada pelo movimento do pistão dentro do cilindro - ou seja, o "tamanho da explosão" é maior. Por isso que os motores 2.0 têm melhor desempenho do que os 1.0. A descrição 1.0 ou 2.0 se refere justamente à cilindrada. Um propulsor 1.0 de quatro cilindros tem capacidade de 0,25 litro em cada cilindro, somando 1 litro total de cilindrada. No caso dos carros, a medida da cilindrada é mais relacionada ao torque, já que comumente vem acompanhada da especificação da potência em cavalos.

Para motos, costuma-se avaliar o desempenho a partir das cilindradas (cc). "(É uma) convenção", resume Fontana para explicar por que diferenciamos uma medida da outra na hora de falar dos veículos. Assim, uma duas-rodas de 150 cc pode ser considerada menos potente do que uma 300 ou 750. "Mas isso com motores de mesma configuração", reforça Fontana. Há outros fatores mecânicos que podem mudar esses números, como diâmetro do pistão e diagrama de válvulas.

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Consumo, conforto e manutenção
Falando em válvulas, o professor lembra que o número delas em cada cilindro também influencia no desempenho do propulsor, pois são aquelas peças que controlam o momento de entrada e saída da mistura de combustível e ar no compartimento para onde ocorre a queima. "Antigamente, a vazão maior prejudicava o torque, porque era preciso rotações mais altas, mas hoje, com comando variável de válvulas, é possível ajustar a abertura das mesmas de acordo com as condições do motor", completa Fontana. Além disso, complementa, tende a haver economia de combustível. O mais comum, no Brasil, são motores de duas válvulas por cilindro, mas também é possível encontrar os de quatro válvulas, "como os 16V do Renault Sandero Stepway e dos antigos Palio 1.6", continua o professor. Motores de cinco válvulas são mais raros, por serem mais caros, e podem ser encontrados em modelos como o Bugatti EB110.

Em termos de conforto, quanto mais cilindros tiver o motor, menor é vibração sentida pelo passageiro do veículo. Por outro lado, o espaço ocupado pelas peças é maior. "Antes, para garantir o conforto, a solução era usar mais cilindros, mas por serem em linha o capô ficava mais longo, uma vez que era necessário mais espaço para acomodar o motor", comenta Fontana. Com o surgimento da configuração de cilindros em V - que tem esse nome porque os componentes são distribuídos metade de um lado e metade de outro, e conectados em uma das pontas, ficando no formato da letra -, foi possível ter mais cilindros em um espaço menor. Em termos de desempenho, a configuração dos cilindros não influencia no motor.

Quanto à manutenção, o número de cilindros do motor não influencia nos custos nem na frequência de revisão do veículo. Apenas na hora de retificar - "fazer o motor" - é que o custo é mais alto, porque mais peças precisarão ser trocadas.

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Fonte: Pense Carros
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