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Dicas de mecânica  |  24/11/2010 10h24min

Hodômetro alterado: um risco para quem compra carros usados

Mudar a quilometragem do veículo para que ele pareça menos rodado é fraude e pode ser considerado crime de estelionato

A quilometragem do carro é, muitas vezes, fator decisivo no momento da compra. O número descrito pelo hodômetro pode servir de impulso ou barreira para fechar um negócio. Por ser tão representativa, a peça virou meio de fraude em carros usados, a fim de alterar os números que constam no painel do veículo para que ele pareça menos rodado. O que era para ser apenas um ponto de análise se torna um risco para o consumidor.

hodômetro digital

Segundo o supervisor de seminovos da Panambra, em Porto Alegre, Luiz Alberto Ithourald, não é possível perceber a alteração sem retirar a peça do painel e verificar o estado dos lacres. Como a maioria dos novos automóveis tem hodômetro digital, pode acontecer de a peça queimar sozinha, por defeito na placa ou umidade, recomeçando a contagem após o conserto. “A única maneira de ter certeza sobre a quilometragem dos novos carros é verificando o estado da peça e se os lacres não foram mexidos”, explica Ithourald.

Alguns modelos da Fiat, por exemplo, trazem uma central eletrônica onde ficam gravadas as informações de rodagem. Para a verificação, basta conectar em um computador disponível em mecânicas especializadas e comparar os números.

hodômetro analógico

Os hodômetros dos carros mais antigos eram analógicos e podiam ser alterados pelo próprio painel, com ferramentas que pressionavam o disco. Essa alteração é mais visível, pois deixa rastro nas peças, como arranhões. Outra possibilidade é abrir o painel e mexer no eixo. O serviço pode durar de 15 a 20 minutos e, por isso, é atrativo de fraudadores.

Já para alterar os hodômetros digitais, é necessário retirar a peça do painel e conectar a placa central a um software.

No entanto, Ithourald lembra que quilometragem não significa carro bem cuidado. “Quem vai comprar um carro usado sempre olha para a quilometragem primeiro. Mas se o carro é bem revisado, se o antigo dono fazia as trocas de óleo regularmente, não tem o motor alterado. Um carro com quilometragem baixa pode estar mais mal-cuidado do que um mais rodado”, completa.

Em média, um veículo roda de 22 a 25 mil quilômetros por ano. “Se o hodômetro estiver marcando 30 mil quilômetros e os pneus estiverem novos, pode ser sinal de que o dono trocou os pneus e mexeu na quilometragem”, alerta Ithourald. Indicativos como o estado dos pneus, pedais, da alavanca de mudança e da direção, que se desgastam com o uso, ajudam na hora de analisar o veículo. 

Segundo o Delegado de Polícia da Delegacia Fazendária, Rodrigo Bozzetto, interino na Delegacia do Consumidor de Porto Alegre, a alteração pode configurar estelionato, fraude genérica que visa vantagem sobre o prejuízo de outra pessoa. O ato também poderia ser enquadrado no art. 66 da Lei nº 8078/1990, que rege os direitos do consumidor. O artigo prevê pena de três meses a um ano e multa para quem fizer afirmação falsa ou enganosa, ou omitir informação relevante sobre a natureza, característica, qualidade, quantidade, segurança, desempenho, durabilidade, preço ou garantia de produtos ou serviços.

“É necessário analisar a situação, o fato, para buscar os direitos de quem comprou o veículo. Aconselho que o motorista faça a denúncia na delegacia, que vai investigar e analisar o carro através de perícia”, enfatiza o delegado.

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