Carros e motos | 23/12/2010 07h11min
Quase 7 mil quilômetros percorridos em 11 dias, dos quais, 2 mil em pistas de rípio, areia e terra. A 4,9 mil metros acima do nível do mar, alguns trechos tinham centenas de curvas (tipo cotovelo) na Cordilheira dos Andes. Isso sem falar na temperatura, que no mesmo dia chegou a oscilar entre -10ºC e 33ºC. O que para muita gente poderia parecer o inferno, para quatro gaúchos, foi o paraíso. O grupo finalizou, no mês passado, a expedição Altos Andes, uma viagem de ida e volta de Porto Alegre ao Deserto do Atacama, no Chile.

O casal de motociclistas Humberto e Ana Lague partiu da Capital em uma Ford Ranger que, no reboque, puxou três Honda XRE 300 – um quarto modelo foi na caçamba da picape. Este repórter acompanhou o grupo. Dois dias depois, em Tucumã, sul da Argentina, encontraram-se com o casal Laerte e Karin e o filho Michael, a família Sopper, que seguiu até lá de avião.
Na cidade argentina, as motos foram para o chão, e o reboque, para a garagem de um hotel. Na prática, era o começo da aventura. Os quatro homens pegaram as Honda, com Ana e Karin revezando- se na direção da Ranger.
Com experiência de mais de 30 anos em duas rodas, Lague puxou o pelotão. Laerte e Michael, acostumados a trilhas nas praias gaúchas e catarinenses, vinham a seguir. A moto da reportagem era a última, à frente da Ranger.
Um dos pontos altos (em todos os sentidos) da viagem foi a passagem por Santo Antonio de Los Cobres, na Argentina, a 3,8 mil metros de altitude. Para chegar lá, é preciso trafegar a 4.985 metros na estrada pela Cordilheira dos Andes. Mesmo com injeção eletrônica, os veículos perderam rendimento. E os pilotos também. A sensação de falta de ar acompanhou o grupo o dia todo. À noite, já no hotel, Ana e Karin sentiram dor de cabeça pelo chamado Mal de Puna.
– O tubo de oxigênio que levamos na caminhonete mostrou-se indispensável – analisa Ana. Por segurança, o grupo optou por sair da estrada assim que chegava a noite.As paradas nos hotéis serviam para analisar as filmagens e as milhares de fotos.
– Ajudam a contar um pouco da história, mas melhor ainda são as imagens que ficarão, para sempre, na memória de todos que estavam na viagem – resume Laerte.
Susto na fronteira
Entre o Chile e a Argentina, a menos de 50 quilômetros da Bolívia, o terreno fica bem complicado em alguns trechos. No oitavo dia, a primeira avaria em um veículo: um prego acertou o pneu traseiro da moto de Laerte. Ambos tiveram de seguir de Ranger – o borracheiro mais próximo ficava a 80 quilômetros dali. Menos de duas horas depois, a surpresa: o experiente Lague foi vítima de uma das armadilhas do deserto.

O grupo passava por Paso de Sica, na Argentina. Seguia a uma velocidade de cerca de 90 km/h, em pista de rípio (espécie de cascalho). Do nada, o chão duro deu lugar a um areião. Trafegando na frente, Lague reduziu a velocidade o quanto pode.Mas a vala de cerca de 50 centímetros,disfarçada de um pó fino, venceu a XRE. A roda da frente afundou pela metade, a moto parou,e o piloto voou por cima. Caiu cerca de cinco metros depois.
– Subiu muita poeira, não conseguia enxergar nada.Quando vi a moto do Lague caída na esquerda, achei melhor atirar a minha ao chão, do outro lado, pois poderia atropelá-lo – narrou Michael.
Como vestiam roupas com proteção, os dois saíram ilesos – Lague ficou com dores no joelho esquerdo e, na noite do mesmo dia,foi a um hospital, onde constatou tratar-se apenas de um susto.
– Fazia um bom tempo que não caía,já estava mais do que na hora de comprar um terreno – brincou o expiloto profissional de enduro.
Veículos casca grossa
Os veículos surpreenderam os aventureiros.
– A suspensão e a posição de pilotagem da XRE são muito boas – comentou Lague. Karin e Ana, as que mais pilotaram a Ranger, sentiram confiança na caminhonete da Ford.
– Fiquei com medo na subida da serra, pois realmente é muito íngreme, com curvas terríveis. Mas a potência do motor me tranquilizou – afirmou Karin.
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Motociclista que se preza não vai de carro com as motos atrás...Estes caras são aventureiros fajutos!
Legal a viagem dos amigos! Mas ir de carro até lá não é grande coisa. Quem é motociclista mesmo, faz como eu e meus amigos, vai de moto de casa até o destino final. Já fomos até o Atacama 2 vezes e também por toda a Carretera Austral. Abraços!
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